Para começo de conversa 🌱

Foi mesa de bar sem cerveja, no meio da Anarcópolis 2025.

Eu e o Ojeda começamos falando de Bitcoin e, quando você vê, estamos discutindo por que tomar banho com água do Estado é uma ideia péssima, por que saneamento não deveria ser monopólio, e como um terreno bem desenhado te dá mais soberania do que qualquer discurso bonito.

Tem provocação, exemplo concreto e coisas que incomoda quem acha que liberdade é só no celular.

Falamos de permacultura sem romantizar, de vida off-grid sem fantasia..
Falamos de trabalho, responsabilidade, escolha e do custo real de ser livre.

Se você já entendeu que o Estado falha, mas ainda não ligou os pontos entre dinheiro, terra, água e autonomia, esse papo é pra você.

Quem compra terra nunca erra. Acesso o link: https://linktr.ee/Reland_TucheNunes

🔎🌱 Um pedaço de terra | RELAND | Curadoria Tuchê Nunes 👨🏻‍🌾

Toda vida autossustentável começa em algum lugar.
E quase sempre esse lugar é um pedaço de terra.

A partir desta edição, inauguro essa coluna pra compartilhar terras raras, com análise prática: água, solo, acesso e vocação. Não é anúncio, não é vitrine. É curadoria, do tipo que eu mesmo consideraria se estivesse escolhendo onde viver, produzir ou construir autonomia.

Algumas vão ser simples. Outras, arrojadas. Todas, concretas.
Porque no fim das contas, o dito popular não surgiu à toa: Quem compra terra nunca erra.

Sítio em Natividade da Serra, SP - R$980.000 | 5 ha | R$196mil/ha
Tudo começa com um pedaço de terra.
Acesse: https://reland.com.br/pt-br/imovel/sitio-de-5-ha-em-natividade-da-serra-sp-5e7c6aa3bcac0ecdc643

📍 Região: Natividade da Serra – Vale do Paraíba (SP)
📐 Área: 5 hectares
💧 Água: nascente própria + captação de represa + 3 lagos interligados
🌱 Solo: misto, com áreas já consolidadas (pomar, horta e pasto)
🚜 Vocação: moradia no campo, lazer produtivo, pequena produção, refúgio autossuficiente

🧠 O que chama atenção aqui:
Essa é uma daquelas propriedades que já passaram da fase de promessa. Água abundante, estruturas prontas, casa funcional e uso do solo já testado. O fato de ser porteira fechada é outro diferencial: quem entra, entra operando. Não é terra pra especular (deixar parada), é terra pra viver, produzir e descansar ao mesmo tempo. Ideal pra quem quer reduzir fricção na transição pro campo sem abrir mão de conforto, conectividade e autonomia básica.

👉 Se fizer sentido conversar sobre essa ou outras terras, é só me chamar.

Quem compra terra nunca erra. Acesso o link: https://linktr.ee/Reland_TucheNunes

🪱 Compostagem não é decomposição

Por que controlar o metabolismo importa mais do que o resíduo ♻️

Compostagem costuma ser ensinada apenas como manejo de resíduos ou produção de adubo. Isso empobrece o que realmente está acontecendo. Uma pilha de compostagem é um sistema metabólico ativo, onde microrganismos respiram, consomem energia, liberam calor e reorganizam a matéria orgânica em formas cada vez mais estáveis. O foco não é o resíduo, é o processo biológico.

Entender compostagem é entender como a vida transforma matéria, fecha ciclos e organiza energia. Em sistemas permaculturais e autossuficientes, ela deixa de ser uma técnica auxiliar e passa a ser infraestrutura viva, capaz de regenerar solos, evitar perdas, construir húmus e até gerar energia térmica quando bem compreendida (demonstrado por Jean Pain).

Este artigo se dedica a comunicar de forma técnica o processo (este é o foco) da compostagem. Foi elaborado em meio a semanas de estudos para a confecção de um vídeo no canal sobre o assunto.

1. O que é compostagem:

Compostagem é um processo biológico predominantemente aeróbio, no qual microrganismos oxidam matéria orgânica fresca, convertendo-a em formas progressivamente mais estáveis.

O ponto central não é o resíduo, mas o metabolismo microbiano:

  • Microrganismos utilizam carbono como fonte de energia

  • Nitrogênio como material estrutural celular

  • Oxigênio como aceptor final de elétrons

  • Água como meio metabólico

A energia química contida na biomassa é dissipada principalmente como calor, o que explica a elevação térmica característica do processo.

Compostagem, portanto, é respiração biológica organizada, não simples decomposição.

2. Compostagem não é sinônimo de decomposição

Toda matéria orgânica se decompõe. A diferença está em quem controla o processo.

  • Decomposição passiva: lenta, desorganizada, frequentemente anaeróbia, com perdas de nutrientes e geração de compostos indesejáveis.

  • Compostagem: intencional, acelerada, aeróbia, com foco em estabilidade, sanitização e retenção de nutrientes.

A compostagem existe justamente para evitar a putrefação e direcionar a energia contida nos resíduos para funções úteis no sistema.

3. Os pilares biofísicos da compostagem

Todo processo funcional depende do equilíbrio entre quatro fatores.

3.1 Carbono (matéria marrom na natureza)

Fornece energia de liberação lenta e estrutura física. Materiais ricos em carbono criam porosidade, permitindo a entrada de oxigênio.

3.2 Nitrogênio (matéria verde na natureza)

Impulsiona o crescimento microbiano. Materiais nitrogenados aceleram o processo, mas em excesso levam a volatilização e odores.

3.3 Oxigênio

Define o processo como aeróbio. Sem oxigênio, o sistema muda de rota metabólica.

3.4 Umidade

Permite o metabolismo. Pouca água interrompe a atividade; excesso elimina oxigênio.

4. Temperatura: o sinal mais visível do metabolismo

A temperatura é consequência direta da intensidade metabólica.

4.1 Quando ocorre o pico térmico

A maior elevação de temperatura ocorre no início do processo, geralmente entre 24 e 72 horas após a montagem correta da pilha.

4.2 Fase termofílica

  • Faixa típica: 50 a 65 °C

  • Pode chegar a 70 °C em sistemas muito ativos

  • Duração:

    • 3 a 10 dias sem revolvimento

    • até 2–3 semanas com revolvimentos periódicos

Essa fase:

  • acelera a decomposição

  • elimina patógenos

  • inativa sementes

Após o consumo dos compostos mais facilmente degradáveis, a temperatura cai naturalmente.

5. Fermentação: onde ela entra (e onde não entra)

Aqui surge uma confusão comum.

5.1 Fermentação, tecnicamente

Fermentação é um tipo de metabolismo, não uma condição ambiental. Ela ocorre quando o oxigênio não é utilizado como aceptor final de elétrons, mesmo que o ambiente permita trocas gasosas.

Por isso, processos como a kombucha envolvem fermentação mesmo sendo realizados em ambiente aeróbio.

5.2 Fermentação na compostagem

Na compostagem:

  • O metabolismo dominante é oxidativo (respiração aeróbia)

  • Mas ocorrem microfermentações:

    • dentro de partículas

    • no início do processo

    • em resíduos ricos em açúcar e amido

Essas fermentações:

  • são locais

  • temporárias

  • e devem ser reprocessadas por oxidação

O problema não é a fermentação em si, mas quando ela se torna dominante e persistente, caracterizando anaerobiose prolongada.

6. Compostos indesejáveis da decomposição descoordenada

Quando a oxidação não ocorre adequadamente, acumulam-se intermediários metabólicos:

  • Amônia (NH₃)

  • Ácidos orgânicos voláteis (acético, butírico, propiônico)

  • Sulfetos e gás sulfídrico

  • Metano

  • Álcoois e fenóis

Esses compostos:

  • são fitotóxicos

  • inibem raízes

  • indicam perda de energia e nutrientes

Eles não participam da formação do húmus.

7. Vermicompostagem: digestão biológica, não fermentação

A vermicompostagem (compostagem com minhocas) representa outro tipo de processo.

As minhocas atuam como:

  • fragmentadoras

  • misturadoras

  • inoculadoras microbianas

O que ocorre é uma digestão biológica externa, análoga ao intestino de um organismo:

  • resíduos pré-processados entram

  • passam por microbiota especializada

  • saem como material altamente estabilizado

Importante:

  • vermicompostagem não é termofílica

  • temperaturas acima de 35 °C matam as minhocas

  • resíduos devem estar pré-compostados ou estabilizados

Ela complementa a compostagem clássica, mas não a substitui.

8. Composto x húmus: não são a mesma coisa

8.1 Composto

  • Produto final do processo de compostagem

  • Mistura de:

    • matéria parcialmente humificada

    • biomassa microbiana

    • frações ainda reativas

  • Pode continuar se transformando no solo

8.2 Húmus

  • Fração altamente estável da matéria orgânica

  • Quimicamente distinta da biomassa original

  • Composta por:

    • ácidos húmicos

    • ácidos fúlvicos

    • huminas

  • Não esquenta

  • Não fermenta

  • Não é fitotóxico

Húmus é parte do composto, não sinônimo.

9. Como identificar húmus e composto sem laboratório

Critérios práticos:

  • Estabilidade no tempo: húmus não reage mais

  • Cheiro: húmus é neutro e profundo

  • Temperatura: húmus não aquece

  • Resposta das plantas: húmus não estressa mudas

  • Identidade visual: húmus não revela origem

Na prática, quase todo material real é um continuum entre composto e húmus, variando no grau de humificação.

10. Uso correto no sistema produtivo

Húmus:

  • Pode ser usado como substrato

  • Atua como condicionador biológico

  • Deve ser misturado a solo mineral para melhor estrutura

Composto:

  • Deve ser incorporado ao solo

  • Pode ser usado como cobertura

  • Evitar contato direto com raízes jovens

  • Usar com parcimônia

11. Jean Pain e a compostagem como fonte de energia

Jean Pain levou a compostagem a um nível raramente explorado: a captura da energia térmica do processo.

Utilizando grandes volumes de biomassa lenhosa, ele demonstrou que:

  • a fase termofílica pode ser mantida por meses

  • o calor pode ser usado para:

    • aquecimento de água

    • calefação

  • gases liberados na decomposição podem ser captados como biogás

O método Jean Pain evidencia algo fundamental:

Compostagem não é apenas regeneração do solo, é transformação energética.

Em propriedades autossuficientes, isso abre possibilidades reais de:

  • integração entre manejo de resíduos e energia

  • redução de dependência externa

  • uso inteligente da entropia biológica

Jean Pain mostrou que o calor da compostagem não é um subproduto indesejado, mas um recurso estratégico.

Já falei dele no canal, no vídeo a baixo a partir de 9:36 👇🏻

Conclusão

Compostagem, fermentação, vermicompostagem e humificação não são processos isolados, mas etapas e expressões diferentes da reorganização biológica da matéria.

  • Fermentação prepara

  • Oxidação transforma

  • Digestão estabiliza

  • Húmus estrutura

  • Energia pode ser capturada

Quando compreendidos de forma integrada, esses processos deixam de ser técnicas pontuais e passam a ser infraestrutura viva de sistemas resilientes.

Entender compostagem não é aprender a lidar com resíduos.
É aprender como a vida organiza energia, matéria e tempo.
Fechar ciclos, ciclar nutrientes na propriedade, é provavelmente o principal objetivo de uma propriedade permacultural.

Conte comigo na sua jornada.
Tuchê Nunes
30/12/2025
Escrito em Uberlândia - MG

Você ganha desconto e apoia o meu trabalho. Envie o PDF da última conta de luz: https://bit.ly/FreeEnergyMarketTUCHENUNES

Para dar tchau 👋🏻

Tive uma grata surpresa ao zapiar o intagram.
Uma página que acompanho a vários anos, que ao meu ver é mais ou menos uma curadoria feita por uma pessoa de muita sensibilidade sobre imagens (maior parte das vezes arte em si) que batem a porta das percepções humanas e e trazem luz à conciência.. Ele compartilhou algumas artes da bíblia da permacultura, o Manual de Design em Permacultura escrito por Bill Mollison.

Instagram post

Eu particularmente, fico sempre muito tocado ao ver a foto ou nome de Bill Mollison, sou muito grato pela obra e vida dele. Além disso, é incrível mesmo, as ilustrações são de 1988 e encantam não importa a época. Os padrões da natureza possuem uma beleza que qualquer ser humano é capaz de reconhecer e sentir.

Agende, preenchendo o formulário 👉 https://forms.gle/oBon1B3ixkrz7mVZ9

Compartilhe com seus amigos, leve para mais pessoas conteúdo de autonomia e liberdade.
Responda este e-mail ou comente aqui a baixo que receberei sua mensagem.

Eu te desejo Vida, Propriedade e Liberdade 🌱🐍🖤💛

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