Para começo de conversa 🌱

Essa semana não teve novidade pública, mas teve muito movimento. Bastidor cheio.
Conteúdo em produção pro YouTube, vários clientes de corretagem rural atendidos, mais reuniões já agendadas pra próxima semana e treinamento de um novo corretor integrando a operação.

É o tipo de semana que não aparece no feed, mas constrói tudo que aparece depois.
Trabalho silencioso, base sendo montada e sistema rodando.

Agora sim, seguimos.

Quem compra terra nunca erra. Acesso o link: https://linktr.ee/Reland_TucheNunes

🔎🌱 Um pedaço de terra | RELAND | Curadoria Tuchê Nunes 👨🏻‍🌾

Sítio em Vitor Meireles, SC - R$ 550.000 | 17 ha | R$32mil/ha
Acesse: https://reland.com.br/pt-br/imovel/sitio-de-17-ha-em-vitor-meireles-sc-c39af627d3ec41213256

📍 Região: Vitor Meireles – Alto Vale do Itajaí (SC)
📐 Área: 17 hectares
💧 Água: rio na divisa + 3 lagoas
🌱 Solo: fértil, já produtivo (citros, hortaliças e pastagem)
🚜 Vocação: produção agrícola, renda ativa, moradia no campo, transição off-grid

🧠 O que chama atenção aqui:
Essa é uma terra que já opera em regime de trabalho. Não é uma promessa, é um negócio. A presença de 2.000 árvores de tangerina e ponkan produzindo cerca de 120 toneladas por ano coloca essa propriedade num patamar raro: terra com renda comprovada. Água abundante, diversidade de uso do solo, acesso fácil e distância razoável de polos urbanos criam um equilíbrio difícil de achar hoje. É o tipo de sítio que permite morar, produzir e gerar caixa ao mesmo tempo, e logo de entrada, algo fundamental pra quem quer sair do sistema sem romantizar o processo.

👉 Se fizer sentido conversar sobre essa ou outras terras, é só me chamar.

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O absurdo da agricultura continua, só que mais tecnológico

Um diagnóstico sistêmico inspirado em Lutzenberger, atualizado para o presente

José Lutzenberger escreveu O absurdo da agricultura no início dos anos 2000. O texto nasce de uma constatação simples: algo estava estruturalmente errado na forma como produzíamos alimentos. Não era um problema pontual, técnico ou circunstancial. Era um problema de lógica.

Passadas mais de duas décadas, a agricultura mudou muito em aparência. Máquinas mais precisas, genética avançada, softwares de gestão, sensores, satélites. Mas, quando se olha com calma, a lógica central permanece a mesma, e em vários pontos, se aprofundou.

O absurdo não desapareceu. Ele apenas ganhou tecnologia.

Leia o texto original que inspirou este artigo: clicando aqui

A tese de Lutzenberger, resumida com clareza:

Lutzenberger parte de um princípio básico: agricultura não é indústria no sentido clássico. Ela é um sistema biológico de captação de energia solar, mediado por solo vivo, água, biodiversidade e tempo.

Quando esse sistema passa a:

  • depender crescentemente de insumos externos

  • substituir processos biológicos por processos químicos

  • consumir mais energia do que transforma em alimento

  • romper ciclos naturais em vez de fortalecê-los

ele deixa de operar como sistema vivo e passa a funcionar como um processo industrial extrativo, ainda que instalado no campo.

O ponto central não é moral. É sistêmico.
Um sistema que não se regenera tende a colapsar… apenas não se sabe exatamente quando.

O que se agravou desde então

Se nos anos 2000 o alerta já fazia sentido, hoje ele é ainda mais evidente.

Dependência estrutural

Produzir alimentos tornou-se um exercício de dependência:

  • fertilizantes importados

  • sementes patenteadas

  • máquinas de alto custo

  • softwares, dados, conectividade

  • crédito e instrumentos financeiros

O agricultor continua no campo, mas boa parte das decisões estratégicas acontece fora dele.

Endividamento como ponto de partida

Em muitos casos, a produção começa com dívida.
Segue com dívida.
E termina com dívida.

O resultado passa a depender não só do clima e do manejo, mas de juros, câmbio, prazos e acesso a capital. Isso não elimina risco, mas apenas o desloca.

Concentração produtiva

O campo foi se transformando em território de escala. Não por acaso:

  • pequenos produtores desaparecem

  • a sucessão familiar se enfraquece

  • a terra se concentra

Não porque produzir alimentos seja inviável, mas porque o modelo favorece quem consegue operar com grande volume, capital e capacidade regulatória. Para se manter no mercado, o pequeno tem que crescer, virando mais uma peça na engrenagem, mais um rato correndo na roda.

Onde Lutzenberger foi particularmente preciso:

A fragilidade da monocultura

A monocultura não é apenas uma escolha produtiva. Ela é uma escolha sistêmica. E funciona bem apenas sob determinadas condições:

  • fluxo contínuo de insumos

  • energia disponível

  • crédito acessível

  • estabilidade logística

Quando qualquer elo falha, o sistema inteiro sente. Biodiversidade não é estética. É estratégia de resiliência.

O limite do PIB como métrica

O PIB mede transações financeiras, não autonomia, não fertilidade, não segurança alimentar.

Sistemas que reduzem compras externas, fecham ciclos e produzem localmente tendem a movimentar menos dinheiro, porém entregam mais estabilidade.

Quando usamos o PIB como único critério, deixamos de fora boa parte do que sustenta a humanidade no longo prazo.

Produção de commodities não é sinônimo de alimentação

O modelo moderno é extremamente eficiente em produzir volume padronizado para mercados globais. Mas volume não é o mesmo que diversidade alimentar, nutrição ou soberania local.

São objetivos diferentes, frequentemente tratados como se fossem o mesmo.

Permacultura e off-grid: o que realmente está em jogo

Permacultura e sistemas off-grid não surgem como negação da tecnologia, mas como outra forma de organizar sistemas produtivos.

Eles tendem a:

  • gerar menos dependência externa

  • exigir menos capital financeiro

  • operar com mais conhecimento local

  • priorizar ciclos fechados

Por isso, não se encaixam bem em métricas tradicionais, nem despertam grande interesse institucional. Não porque não funcionem, mas porque reduzem a necessidade de mediação central.

São sistemas que devolvem capacidade decisória a quem opera a terra.

Terra como sistema, e não apenas como ativo

Comprar terra como ativo financeiro é legítimo e pode ser eficiente. Mas, quando a terra é vista apenas sob essa ótica, parte importante de seu potencial fica subaproveitado.

Terra não é só área. É:

  • solo vivo

  • água

  • clima

  • energia

  • tempo

Quando tratada como sistema, ela pode gerar não apenas retorno financeiro, mas estabilidade, resiliência e margem de manobra diante de crises.

Não é uma oposição entre capital e cuidado.
É uma diferença entre curto prazo e visão sistêmica.

Monocultura não gera liberdade

Monocultura exige alinhamento constante com mercados, insumos e crédito. Isso não é um defeito moral, é uma característica estrutural.

Liberdade produtiva surge quando a dependência externa diminui e as opções aumentam. Diversidade cria opções.

Autonomia não é estética

Autonomia não se constrói com imagens, slogans ou soluções isoladas. Ela nasce de projeto:

  • integração de sistemas

  • redundância

  • planejamento

  • adaptação local

É menos sobre aparência e mais sobre funcionamento.

Um cenário que se aproxima

Com a automação avançando rapidamente, inclusive com robôs humanoides capazes de plantar, colher e operar sistemas, a terra fértil, bem manejada e integrada tende a ganhar ainda mais relevância.

Não como símbolo, mas como infraestrutura básica de autonomia.

Conclusão

Lutzenberger não propôs um retorno ao passado. Ele propôs uma correção de rota. Uma agricultura que voltasse a operar de acordo com a lógica dos sistemas vivos.

A tecnologia avançou muito desde então. A pergunta que permanece é se a lógica que a orienta avançou na mesma direção.

Porque, no fim, o debate não é apenas agrícola.
É sobre quem controla, e como, os meios de produção da vida.

E isso não se resolve com slogans.
Se resolve com projeto, entendimento e autorresponsabilidade de longo prazo.

Este artigo foi inspirado em O absurdo da agricultura de José A. Lutzenberger.

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Eu te desejo Vida, Propriedade e Liberdade 🌱🐍🖤💛

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